segunda-feira, 1 de junho de 2009


Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.



(Manoel Bandeira - Um bicho)

Este poema de Bandeira  me mostrou um forte apelo à seca devasta do nordeste e do mundo,lembrei-me de vidas secas de Graciliano Ramos cuja obra narra a vida de uma família de retirantes(sertanejos)que se encontram perdidos em um mundo onde não há espaço para todos,inclusive para eles mesmos.

A obra de Graciliano Ramos trata-se de uma família com linguagem literalmente monossílabica.O diálogo entre eles é tão "amplo" quanto o de seus animais de estimação, - resumidos a grunhidos e expressões corporais,vivendo à beira de desigualdades e repressões políticas-sociais,a família segue seu caminho com uma força bruta,voraz e impressionante de um bicho homem que luta e acredita em forças superiores que irá sim transformar não só suas vidas,mas também a natureza.

1 inspirações:

Marci Kuhn disse...

O homem, do Manuel bandeira também pode ser um homem ético, aquele homem voraz que não pensa, não sabe, age, faz, come qualquer coisa que ve pela frente.
Enfim...
Muito bom post