Em um lugar onde as palavras se dissolviam,habitava um
objeto intacto.
Pouco se movia,nada dele se ouvia...- diziam que ao menos aquele
objeto existia . Ele se desprendia das coisas,não querendo envolvimentos,
contatos próximos.Os outros então resolveram
deleta-lo,para ele nada mudaria,a não ser o fato de não existir mais obstáculos em seu caminho,tentando detecta-lo.
Um estrangeiro distante,o qual não soubera da exclusão do
objeto,notou o mesmo sentado,sem movimento,nem palavras...de uma beleza insignificante com traços superficiais,poderia ele ter passado adiante e não te-lo percebido,mas ocorrera o contrário,logo o notou e quis o apreciar,sem sentido algum aparente,o
objeto incomodado fitou-o mesmo irritado,pois para ele todo aquela ousadia dos seres tinha acabado e aquilo só poderia passar de um pesadelo qualquer.
O estrangeiro se aproximou para
visualiza-lo de perto,- o que até então,nunca havia acontecido -,logo percebera que junto a ele havia um papel,- velho,amarrotado,sem vida igual -,decidiu então perguntar o que seria aquilo...mas não recebera resposta alguma.
Constrangido,fora embora para onde deveria ter ido há muito tempo,mas para quem imaginou que teria desistido,enganou-se.
No outro dia o estrangeiro enfurecido voltou,aproximou-se do ser sem vida junto a um papel do mesmo tipo ao dele,e entregou,no papel tinha pequenas palavras : - Estamos entre pequenos espaços - ,o
objeto admirado com a situação,indignou-se e junto a indignação,sentiu algo novo,uma vontade imensa de escrever em palavras aquilo que sentia há tempos... e pôs se então a fazê-lo:- estou entre espaços,entre você,entre eu,entre eles.
O estrangeiro admirado,devolveu seu amarrotado com os dizeres: - deixe me apagar as vírgulas que estão nos separando?
O
objeto logo disse: - Creio que não será possível,há um ponto de interrogação entre nós e não pretendo responde-lo...
O estrangeiro constrangido,deixou um caderno ao lado do
objeto e apenas disse para que o mesmo fizesse daquele o seu mundo sem espaços,entre ele e ele mesmo,usando-o de maneira sábia e apenas para si,- e foi-se embora para algum lugar distante dali,deixando apenas aquilo.
O
objeto lendo aquelas palavras,sentiu a felicidade vir a tona ao mesmo tempo,por questão de segundos já estava ele com a caneta,derramando em palavras o que sentia,o que sentiu,o que viria a sentir...ele por fim escreveu,escreveu e escreveu...
Todos os moradores daquele lugar,passou então a enxergar os movimentos de seus braços com um olhar espantoso e resolveram um plano armar... - descobrir o que ali estava escrito - .
Puseram-se a espia-lo,dia e noite,sem serem notados,assim poderiam saber a hora em que ele tiraria um
cochilo e poderia ataca-lo sem teme-lo.
Assim o fizeram e roubaram a vida daquele que a havia ganhado-a outro dia.
O primeiro que leu,com gritos exclamou seu espanto,seria aquele
objeto uma maquina de escrever?
O segundo se fez de esperto e subestimou o pobre coitado a não ser um nada,apenas um copiador de besteiras de um jornal antigo.
O terceiro por sua vez,sorriu e
levou consigo os velhos papéis...
Levou consigo
também a certeza de que aquilo brilharia por páginas de uma longa história...e encarregou-se de publica-la...
Começa aqui uma história entre espaços,mal e bem contados .
Com começo,porém sem um fim.
Mas com palavras,muitas palavras...
[ ? ]
Continua ,,,