quarta-feira, 12 de agosto de 2009

amarga.

Havia um pouco de luz refletida na parede naquela tarde,suas sombras confundiam-se,entrelaçavam-se uma na outra.
Era época de chocolate quente e cachécois ao pescoço,nestes tempos os corpos tendem a se sentir menos sós,com tanta proteção sob eles que às vezes até mesmo se esquecem que são apenas um.
Lá fora o vento gritava e pedia um abrigo e tinha como resposta janelas e portas fechadas,as folhas no chão caíam e logo fugiam para junto dos ares que sozinhos estavam.
Ali ainda habitavam dois corpos unidos por uma só chama,aquecendo-se um no outro,esqueciam do mundo e do tempo lá fora,nada era mais importante que aquilo,mãos e nucas quentes,tremulas de sentidos à flor da pele...sentidos pra quê senti-los?
Mas o mundo não podia esperar,precisava levar consigo o tempo e tudo que nele habitava,levou por vez os segundos e por fim as horas,que não mais calmamente passavam,agora corriam e fugiam...fazendo desgrudar-se os corpos que estavam unidos e os ares que carregavam manchas do outono contigo.
Em um universo distante moviam-se molduras incompletas de vidas,de restos de vidas que sem saber como caminhavam para uma mesma direção,acreditava-se que logo,encontrariam-se e pela força da gravidade permaneceriam unidas pela eternidade.










~ . e mais nada pode-se esperar, contaram-lhe que o final feliz fora inventado...










... e da gota que escorreu pelo seu rosto.

.
.
.


fez-se encanto num amargo que ninguém havia notado,



o sabor mais belo que eu já havia provado.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

80's


Depois dessa foto,quero ver quem negará minha real idade.

Hãm.

domingo, 2 de agosto de 2009




We all had delusions in our head
We all had our minds made up for us
We had to belive in something
So we did

(...)

sábado, 1 de agosto de 2009

1º de agosto.



Em nosso jardim pétalas não faltarão, a fim de garantir a nós os sorrisos mais sinceros.

esperar-te-ei .

segunda-feira, 1 de junho de 2009


Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.



(Manoel Bandeira - Um bicho)

Este poema de Bandeira  me mostrou um forte apelo à seca devasta do nordeste e do mundo,lembrei-me de vidas secas de Graciliano Ramos cuja obra narra a vida de uma família de retirantes(sertanejos)que se encontram perdidos em um mundo onde não há espaço para todos,inclusive para eles mesmos.

A obra de Graciliano Ramos trata-se de uma família com linguagem literalmente monossílabica.O diálogo entre eles é tão "amplo" quanto o de seus animais de estimação, - resumidos a grunhidos e expressões corporais,vivendo à beira de desigualdades e repressões políticas-sociais,a família segue seu caminho com uma força bruta,voraz e impressionante de um bicho homem que luta e acredita em forças superiores que irá sim transformar não só suas vidas,mas também a natureza.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Equidistantes.


Neste ultimo sábado,dia 9 de maio em Pinheiros na Biblioteca Alceu Amoroso Lima,recebemos uma ilustre presença - Zeca Baleiro com Celso Borges no Projeto "A voz da Poesia",onde no encontro aconteceu uma bate-papo que antecipou o show,com os parceiros discutindo e relembrando de seus autores/músicos enfim poetas prediletos
Foram citados inúmeros nomes entre eles,- Fiódor Dostoiévski,Leminski,Manoel Bandeira,( que teve A cópula cantada),Paulo Coelho,Cecília Meireles e até mesmo a consagrada Lispector.
Por se falar de música,o tropicalismo foi citado muito ao palco sem esquecer de mencionar à magia sedutora de Chico Buarque de Hollanda,mas se o assunto era cinema,Zeca deu um brinde aos corações que saltavam da boca de seus fãs,o cantor contou os porquês de "nalgum lugar",em que ao declarar seu gosto pelos filmes de Woody Allen,confessou que ao assistir "hannah e suas irmãs" se deparou com citações do estadunidense e  poeta E.E. cummings e claro como apreciador da arte e músico não pode deixar de acrescentar em sua música citações como: - ninguém,nem mesmo a chuva tem mãos tão pequenas ( falado ao final do filme de W.Allen);
Mas o show não acabou por aí,Zeca literalmente divertiu o público em seu poema cantado A Cópula de M.Bandeira,super erótico (e bota erótico nisso)com pitadas sensuais narrada pelo nosso cantor invejável.
O show terminou com uma sessão de fotos com o próprio Zeca,simpático com todos seus fãs,mostrou que carisma nunca é demais ao dom e merecimento que lhe foi dado.
O tempo de espera e a disritmia nos corações dos fãs foi apalpado calorosamente pela voz e simpatia do Baleiro,que concerteza saíram pedindo bis e aguardando a agenda para o próximo show em sampa do cantor.

Foto: Daniel Barros.

Em um momento de êxtase,estava eu a admirar a bela canção,quando que pelo seu olhar magnético o Daniel fotógrafo bateu o flash.

" O momento em  preto e branco e a alma multicolor " ...  ~

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Se o mundo não for seu,não será mais de ninguém .


Mais do que se sentir só é estar só,em um mundo onde o que não falta são pessoas,de todos os lados se pode observa-las,vão e vêm a todo instante,com movimentos variados da mais pura energia ao mais desatento passo...são pessoas que carregam em si o doce peso de viver e a amarga ansiedade do dia a dia.
Em meio a esse cenário de buzinas,luzes,sinalizações e passos,nos perdemos a tantas informações que se torna deveras oportuno olharmos para o lado,não enxergamos aquilo que queremos ver e sim aquilo que nos é dado,que nos é jogado,que nos é empurrado.
Um dia todo aquele movimento pára e finalmente o sinal vermelho dá as caras,olha para você e sem dizer coisa alguma,te impressiona,você sem reação observa-o,timidamente por não estar acostumado com tais ocorrências,o nota tambem e o sente,como nunca havia sentido-o antes,ele sorri e sem dizer palavra alguma te faz querer explodir em emoções,você sorri,você o olha,você o observa...
Uma flor tímida a ti é dada e você a recebe com os olhos trémulos e cheios de lágrimas,você a recolhe e a ama,a ama profundamente,a deseja ...
Ela a você traduz o inexplicável e te acomoda ...
Em um cenário pacato você está amando,você se liberta de tal forma... ahhhh você realmente a ama.
Ela te olha,te observa...ela te joga seu aroma sobre suas macias mãos encolhidas e você a sente a faz suspirar...você definitivamente a ama...
O sinal finalmente abre e
o verde pisca,você precisa andar vaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.
Se perder em si ou se perder pra eles?
Você tem um minuto,você precisa decidir...
Você então parte,sem ela entre as mãos (...)

domingo, 15 de março de 2009

À flor da pele ) ... (


  À noite estava apenas começando,no imenso céu com nuances cinzas,logo ao meio abrigava-se uma lua que rapidamente envolvia-se nas nuvens negras e misteriosas,dando aspectos não-literalmente de envolvimento,rapidamente sumia-se em meio aos contornos de um céu secreto e verossímil ... 
  Em meio ao espetáculo cósmico,surgia em mim pensamentos demasiadamente novos,por segundos não mais apenas o céu se movia,mas sim a minha alma saira de mim de tal maneira,que o mundo ao meu redor girava...girava...girava
  Todavia deixei escapar sussurros e sensações à flor da pele,o papel a desempenhar era o de ser e fazer sentir,levemente emaranhando-se aos fios de tua alma.
  Outrora eu poderia crer que instantes assim não estariam ligados à céu aberto,mas tudo me fez crer que não estava sonhando.
  Fecho os olhos e sinto...
apenas sinto e faço sentir.
  Se querer fosse poder pararia os minutos naquela hora,faria pacto com o mundo e organizaria a linguagem mais profunda da tua espécie.
  Me fez ...

  faz ...

  um toque de escuridão pintou no ar ... outrora abriu-se caminho para a luz,aquele que nos dá força...
  E do sussuro se fez ao ouvido,a tua imagem fotografada no abstrato.
  E do momento se fez eterno ~



segunda-feira, 9 de março de 2009

Eu's em mim.


É de extrema importância que este escrito seja redigido de maneira correta e sem embaraços,- terei que coordenar cada eu,para não atrapalhar-me,tarefa árdua esta.
Ali está,já posso enxerga-lo,se aproxima lentamente,ligeiramente,sem pensar muito não age e não teria o porque de agir,caminha mais para frente com a cabeça quase que à altura das pernas,passa despercebido,caminha e caminha lentamente com passos leves e sobressaltados,movimentos de borboletas calmas e frias,e aos poucos reconhece à sua volta,tornando aquele seu lugar,seu refugio,seu habitat natural,como os animais,logo se adapta e se guarda ao canto,para não se misturar à outra espécie que pode ser prejudicial à sua,se deita,encolhe-se,imóvel -que beleza encantadora,sempre desfrutei de meus gostos contemporâneos,mas neste caso é muita beleza para um ser tão simples,invejo-te-,seus pensamentos voam à espaços mais amplos,percebe-se que alma de tal tamanho não se deixaria encolher em um espaço minúsculo,precisava voar,conhecer terrenos novos...

Dos gostos mais belos que já provei,preferi sempre àqueles de gosto amargo,congelante e apetitivo,-sim,apetitivo,por que não?Gosto não se discute,não tem jeito-,ser diferente custou-me tempo,paciência e muito paciência,dizem por aí que é mais fácil ser igual,mas que é simpático ser diferente e deveras importante também,acredito que apreciar o diferente e ser é completamente oposto de achar-se tal.

De todos os gostos preferi o meu,ressaltei a beleza particular,inundei-me em palavras,elas se expandiam de tal forma que me aterrorizavam - e aterroriza -,mas com o passar do tempo você se adapta,afinal de contas não tem como fugir,você é o que você sabe ou tenta fazer.

Dentro de mim,percorria um rio nada calmo,que exclamava por jorrar suas águas ao redor daqueles que o contaminavam ... mas pudera eu reservar-me e conter-me,- assim fiz,é claro-,há aqueles que consideram frágeis aqueles que não retrucam,não inundam-os com baldes gelados,participando de seus jogos de azar,ah estes são os mais errantes,considero-os mais fracos que os fracos dos fracos,fracos muitíssimos fracos.

As palavras tem um poder meu caro,digo,um poder altíssimo e repito: - vivo delas,amo-as,as-perdoou e não as-divido,NUNCA,não compartilho afinal de contas são meu único bem,como a vida,a vida...oh vida.

Percebo-se calma,leve...engano-me,- o outro eu já quer entrar em ação,com o tempo você vai perdendo o costume,acontece,só é preciso tempo.

Não tem jeito o desfecho nunca é o fim,e o começo nunca é o princípio,sem dúvidas há muito o que dizer em um final e mais ainda em um começo e o meio,ah quanto resta para o meio?

Muito.

...



...



...



Preciso dizer,encanto-me com eu mesma,sou capaz de coisas que julgo além de mim,se posso ir além,sou mais do que penso...se o pensamento é o bem mais forte,sou mais forte que eu mesma?- tenho esperanças ainda e a retiro daqui,ela me fortalece,me ampara...

Me diga o que eu preciso ouvir,não melhor não,não me diga,me mande uma carta do jeito que eu preciso ler,hoje...por favor não deixe para ontem,pode ser tarde,ontem pode ser muito tarde.

...

...
...

A magia está hibernando sobre mim,esses sons ao fundo são contagiantes e ativam melhor o sistema que um lexotam tenho certeza;

Creia quando digo que as amo.





Ah como Às amo.


Dói-me lembrar que qualquer um tem o direito de usa-las,porém vivo novamente quando lembro que poucos a sentem.





~ ~ ~



Imagem retirada de:


olhares.aeiou.pt

sexta-feira, 6 de março de 2009

; do Lat. oeustru



...












Não são poucas as vezes em que fico a me perguntar sobre esse poder chamado : - inspiração.

Muitos a querem,a necessitam,fariam tudo por uma porção dela em determinados momentos,em compensação há aqueles que dela vivem,a transpiram e as sugam em suas veias poéticas,sem qualquer esforço ela os percorrem dos pés a cabeça,transformando todo o seu ser em criatividade e compensação,- seriam eles a parte favorecida da história ? - .

Inspiração vem de inspirar,- inspirar O² óbvio-,vem de inspirar emoções,magicas,alertas.

Inspiração é um bem precioso e não para qualquer um,ela chega de mansinho,e com cuidado você a toma e sendo mais cuidadoso ainda nunca mais a solta;

Há aqueles que vivem de inspiração,seja ela na música,na vida,na tela,na quadra,no amor e nas páginas...- de livros,revistas jornais e blogs - ,sou humana e cheia de particularidades,entre elas destaco aqui que não saberia explicar como o ocorre o processo de inspiração por meio da música e etc,mas se falando em letras,ahhhh elas sim são minhas,só minhas.

Inspiro-me facilmente,quase à velocidade da luz,basta-me pensar e logo inspirar-ar-ar-.

Melhor que usar palavras oralmente,é argumentar as mesmas textualmente e isto não é lição de casa,é herança,mas em hipótese alguma hereditariamente falando.

Às vezes ela nos contorna e nos dá um baile,foge de uma maneira inverossímil,mas ela sempre volta,vem correndo às mãos,transformando cada toque em arte e contemplação,quem a possui não tem necessidade de desejar mais nada,ela é tudo,ela alimenta,sacia e conserva;

A inspiração,é verdadeira,é sincera,é espontânea...e é confiável.

As palavras são mágicas e mutáveis,com poderes inimagináveis.

A criação é feita a partir da ideia.

A ideia é lançada no espaço...

e transformada no papel.

O papel é o melhor companheiro...

é a poesia,é a arte e a cultura.

Transforma-se,transformando,transformando-nos...







Verdades são ditas quase que em segredo ;








terça-feira, 3 de março de 2009

Como é difícil ser eu mesmo.


Seja você mesmo?é Provérbio?lenda?Crença popular?romantismo?Insensatez!
Tenho perguntas,uma,duas,no plural : - perguntas,muitas.Não entendo como acontece o processo de ser,- isto é uma pergunta ,todos dizem que você precisa tratar todos da melhor maneira possível,mas se você não concordar com os princípios de um ser,o mesmo não poderá ocorrer,pois será insuportável permanecer ao lado de uma pessoa sem escrúpulos.Onde entra a parte de tratar bem a todos?Tiraram o direito do ponto de vista,da percepção?Me salve,preciso soltar minhas ideias.
Me contaram que não podemos ser poetas,nem amantes e muito menos arrogantes,o que eu tenho que ser já está programado?Por que eu vivo então?Se tudo está feito,está feito e pronto,não serei poeta,amante e nem arrogante serei robô,dito e feito - serei robô.
Nunca consegui organizar muito bem essa coisa de ter que ser eu mesmo,como você pode ser você mesmo para todos,ser você mesmo é uma coisa muito íntima tua,só você pode se conhecer literalmente,por isso nunca podes julgar ninguém,pois só aquela pessoa sabe como ela é quando ela é ela mesma.Se sou eu mesmo,eu sou.Eu só sou para eu mesma,não quero me mostrar para o mundo,um mundo onde seus habitantes guerrilham com os seus aliados,onde há guerra por uma coisa chamada poder que ninguém ao menos sabe direito o que é,neste mesmo mundo julgam-se "errados" e "certos" aqueles que de acordo com tuas leis acabam-se super julgados.Não tenho paciência e vontade de ser algo neste lugar,é tanta imposição de pensamento,se você agir diferente ,é errado.Temos que ser todos iguais?Mas por que?Ñão quero,não posso,grito pela liberdade se eu ser apenas com eu mesma,não quero me mostrar,muito menos adaptar-me,quero ser para eu,aquela que mais se importa com isso...
Em um mundo onde o medo é dito como paranóia e o amor é necessário,não tem como haver esperanças,não tem como,não sou capaz de amar por necessidade e preciso temer sem paranóias.Tenho medo,fome e frio...sinto,porque existo...quando sinto eu sou,simplesmente sou por que sinto e por que respiro,respiro gases atmosféricos igual a você,não é incrível?Respiramos,sentimos,agimos,somos de carne e osso,temos medo,paranóia,amamos,somos certos e errados...mas somos nós mesmos?Ou nos programaram assim?Não importa,sou eu mesmo e pronto.Irei gritar para o mundo todo ouvir,tenho princípios que são tidos como loucura,mas a mesma só está presente no âmago daqueles que realmente a sentem,e como sentem,sentem de tal tamanho que a amam,sem necessidade mas com valores paranóico que qualquer medo de abate.Batendo na porta da inconsciência eu sou eu mesmo,eu respiro para eu continuar aqui escrevendo...escrevendo ... ... ... escrevendo para eu mesma ler,por que eu mesma sou eu,aquela que se conhece inteiramente e não pode se julgar,pois suas atitudes diferentes das músicas,-correspondem aos fatos,Seria bom ser todo dia,ser na rua escura na madrugada,ser no abismo mais alto,ser na alma,ser na vida...seja ... absolutamente seja ... pouco vale não ser,pois o não ser é não existir,exista,apenas exista ...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

[ Entre espaços ]

Em um lugar onde as palavras se dissolviam,habitava um objeto intacto.
Pouco se movia,nada dele se ouvia...- diziam que ao menos aquele objeto existia . Ele se desprendia das coisas,não querendo envolvimentos,contatos próximos.Os outros então resolveram deleta-lo,para ele nada mudaria,a não ser o fato de não existir mais obstáculos em seu caminho,tentando detecta-lo.
Um estrangeiro distante,o qual não soubera da exclusão do objeto,notou o mesmo sentado,sem movimento,nem palavras...de uma beleza insignificante com traços superficiais,poderia ele ter passado adiante e não te-lo percebido,mas ocorrera o contrário,logo o notou e quis o apreciar,sem sentido algum aparente,o objeto incomodado fitou-o mesmo irritado,pois para ele todo aquela ousadia dos seres tinha acabado e aquilo só poderia passar de um pesadelo qualquer.
O estrangeiro se aproximou para visualiza-lo de perto,- o que até então,nunca havia acontecido -,logo percebera que junto a ele havia um papel,- velho,amarrotado,sem vida igual -,decidiu então perguntar o que seria aquilo...mas não recebera resposta alguma.
Constrangido,fora embora para onde deveria ter ido há muito tempo,mas para quem imaginou que teria desistido,enganou-se.
No outro dia o estrangeiro enfurecido voltou,aproximou-se do ser sem vida junto a um papel do mesmo tipo ao dele,e entregou,no papel tinha pequenas palavras : - Estamos entre pequenos espaços - ,o objeto admirado com a situação,indignou-se e junto a indignação,sentiu algo novo,uma vontade imensa de escrever em palavras aquilo que sentia há tempos... e pôs se então a fazê-lo:- estou entre espaços,entre você,entre eu,entre eles.
O estrangeiro admirado,devolveu seu amarrotado com os dizeres: - deixe me apagar as vírgulas que estão nos separando?
O objeto logo disse: - Creio que não será possível,há um ponto de interrogação entre nós e não pretendo responde-lo...
O estrangeiro constrangido,deixou um caderno ao lado do objeto e apenas disse para que o mesmo fizesse daquele o seu mundo sem espaços,entre ele e ele mesmo,usando-o de maneira sábia e apenas para si,- e foi-se embora para algum lugar distante dali,deixando apenas aquilo.
O objeto lendo aquelas palavras,sentiu a felicidade vir a tona ao mesmo tempo,por questão de segundos já estava ele com a caneta,derramando em palavras o que sentia,o que sentiu,o que viria a sentir...ele por fim escreveu,escreveu e escreveu...
Todos os moradores daquele lugar,passou então a enxergar os movimentos de seus braços com um olhar espantoso e resolveram um plano armar... - descobrir o que ali estava escrito - .
Puseram-se a espia-lo,dia e noite,sem serem notados,assim poderiam saber a hora em que ele tiraria um cochilo e poderia ataca-lo sem teme-lo.
Assim o fizeram e roubaram a vida daquele que a havia ganhado-a outro dia.
O primeiro que leu,com gritos exclamou seu espanto,seria aquele objeto uma maquina de escrever?
O segundo se fez de esperto e subestimou o pobre coitado a não ser um nada,apenas um copiador de besteiras de um jornal antigo.
O terceiro por sua vez,sorriu e levou consigo os velhos papéis...
Levou consigo também a certeza de que aquilo brilharia por páginas de uma longa história...e encarregou-se de publica-la...

Começa aqui uma história entre espaços,mal e bem contados .
Com começo,porém sem um fim.
Mas com palavras,muitas palavras...

[ ? ]





Continua ,,,

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O tempo em sua versão sarcástica II .

(...) Em meu ponto de vista,aquilo tudo não passava de uma miragem,preferi por um instante crer que não estava situada junto com aqueles que geravam o sarcasmo.
Sobre o meu ombro,enxerguei uma vida distante da qual eu não faria parte, - todas aquelas pernas em movimentação constante,em massa se moviam e se deixavam levar sem destino,tudo parecia simplesmente organizado,não havia esbarrões,tropeços e ao menos conversas paralelas,tudo era infinitamente adestrado -,me senti por um momento vazia,sozinha...a movimentação não abrira caminho para eu passar,a vida não teria até então o seu destino para mim?Não queria dramatizar a situação,mas todos aqueles movimentos realmente mechiam comigo,mechiam de tal forma que me senti completamente,infinitamente sozinha.
Ser só,é ser , então digo que SOU - sou mais do que simplesmente ser,sou só,sou eu,sou você também -,penso logo existo ! Não foi isto que exclamaram? Se penso é porque existo,se existo é porque sou,sou aquela que não se movimentava com a massa,que espera sentada cair nuvens prateadas do céu,mas realmente existo?Se existo porque eles não param para me notar?
O problema é que,eles são sombras daquilo que eu sou,eu sou eles,eles são apenas projetis,enquanto eu SOU.Sendo assim eu governo,darei as ordens desde então,está aberta a temporada da libertação,movam-se separadamente,esqueçam a ordem e a adivinhação...
por favor,enquanto eu estiver em comando,peço-lhes : - esqueçam-me.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O tempo em sua versão sarcástica .

Terça-feira,17 de fevereiro de 2009.
Guarulhos,São Paulo
Diretamente do planeta terra,situado em algum ponto estrátegio na via láctea.
Sim,estou com o tempo livre,isto não me leva à uma má situação e sim a um entusiamo profundo de derrubar em palavras,o meu ócio criativo,- concordo,que talvez ,nem seja tão criativo assim .
Mas que seja,hoje pareceu-me um dia comum,daqueles que realmente não dá vontade de se inovar nada,um dia desses para os amantes da vida,pode ser lindo,mas que fique claro : - o mesmo não me ocorre.A névoa cinzenta na manhã que seguia-se,continou ali,me encarando,esperando que eu corre-se e voltasse para as nuvens de plumas que esperavam-me incansavelmente em meu quarto,o café quente na xícara preferida,amargo como as palavras que tenho dito por estes dias,estava ali em seu habitat natural,os tênis sujos de cor de outono estavam em seu canto,como esperando,-gritando - por ser escolhido,afinal de contas um dia comum não pode ser perdido nem por um deles.
Os cãos com seus latidos constantes,ecoando pelos ouvidos não só daqueles que peramancera perto na manhã,era possível ouvi-los em outro continente,tenho certeza que os ventos não poupariam absolutamente ninguém dessa magia. - auto-ironia .
As pessoas,seus olhares tenebrosos,seus sorrisos tão secos,comparados a uma folha caída desde o outono passado,suas vozes são "indescrítiveis",comunicam-se tanto,gesticulam-se de tal forma,que perdem-se em seus contatos,seus gostos,seus jeitos são tão... iguais ?
Por mera coincidência ou acaso do destino,eles são idênticos,o destino pode tera unidos,eles todos combinam muito,é incrível,movem-se como se pudessem ser comparados ao movimento frenético das ondas do mar,onde todos aplaudem as mesmas após um lindo pôr-do-sol naquela tarde com reticências no final.Mas não,eles não param de se vanglorizar,- chega a ser nauseante - ,eles riem,como se tudo o que falassem fosse cómico ou engraçado ...
- continua - ...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sesantus ...






Sentidos - são - sentidos - por nós - que - os - sentimos - graças - aos - sentidos - ...

Um arrepio ... daquele dia em diante,nada seria igualável ao seu ser.Seriamos o que não somos no entanto.

Um bocejo ... seu ego o fracassou mais uma vez,retirou-se e então continou a dormir com o desejo profundo de que ao acordar seu bocejo seria doce como teria sido o seu beijo ...

Um aperto ... não teria forças para continuar,era preciso mais,muito mais ... Teria ele fracassado ? Precisava acordar,foi então que ... - sentiu o aperto de sua pele macia contra sua pele - ...

Um beijo ... naquele minuto eles deixaram de existir e voaram para longe dali . - apenas naquele minuto,instante ... ato .

Uma dor ... estava ela sentada ao canto,- estavam eles,a multidão passeando - ,ela cantava em seus pensamentos sozinha,aflita,-eles riam de sua cara vazia -,ela implorava por uma ventania que a soprasse dali,- eles a lembravam que a sua vida não existiria -,ela implorava para eles pararem,- eles a queriam vagando pela eternidade -,embora disessem que os sentidos nunca fariam parte dela,sua vida sem sentido se demonstrou pálida,vazia... - ela mostrou-se então,surgiu de um sopro que se transformou em vida desde então,ela agora poderia sentir,ser sentida,sentindo os sentidos,ela sentiria que sua vida agora tinha um sentido,que o sentido faria parte da vida,sua vida ... Uma vida,uma única vida.

Uma utopia ... Seriam bons aqueles que a tivessem feito sentir...fizeram a então sorrir,sorriso falso,pálido,cor de inverno... Sua pele nunca mudara,seus lábios nunca se mechera desde entanto...ela não desistiu,acreditou ainda no seu maior sonho,precisava de forças e enfim ... a buscou ?


Ela buscou suas asas na imensidão do infinito,com a ajuda da ventania que soprava...e foi-se então para o mundo dos sentidos ... para sempre ou só por um momento,para ela isso não a importava.




Voou


voou


voou voou voou


voou voou voou

sem sentido

voou voou


voou


voou voou voou

...